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MARIA E A EUCARISTIA Maria: mulher eucarística


Maria está tão fortemente ligada ao mistério eucarístico que o Papa João Paulo II, na Encíclica Ecclesia de Eucharistia, a chamou de “mulher eucarística” (EE53). Assim, devemos nos colocar na escola de Maria, a mulher eucarística, se quisermos redescobrir a íntima relação que existe entre a Igreja e a Eucaristia. Maria se apresenta como Mãe e modelo da Igreja, que nos pode guiar para o Santíssimo Sacramento, justamente porque tem uma profunda ligação com ele. “Maria é mulher eucarística na totalidade de sua vida” (EE 53), pois ela se dá a partir de sua atitude interior, que marca toda a sua vida. Por sua vez, “a Igreja, vendo em Maria o seu modelo, é chamada a imitá-la também na sua relação com este mistério santíssimo”. Maria praticou interiormente a sua fé eucarística ainda antes de ser instituída a Eucaristia, quando ofereceu o seu ventre virginal para a encarnação do Verbo de Deus. E daí o título de ser a Arca da Aliança, que contém o Santo dos Santos.

Na Encíclica sobre a Eucaristia lê-se: “Existe uma profunda analogia entre o “sim” pronunciado por Maria, em resposta às palavras do Anjo, e o Amém que cada fiel pronuncia quando recebe o corpo do Senhor” (EE 55). A Maria foi-lhe pedido para acreditar na obra do Espírito Santo, e na Eucaristia é pedido aos fiéis para crerem que aquele mesmo Jesus, Filho de Deus e filho de Maria, torne-se presente nos sinais do pão e do vinho com todo o seu ser humano-divino.

Na saudação de Isabel, Maria ouve: “Feliz aquela que acreditou” (Lc 1,45). Maria antecipou também, no mistério da alegria da encarnação, a fé eucarística da Igreja. E, na visitação, quando leva no seu ventre o Verbo encarnado, de certo modo ela serve de “sacrário”, o primeiro sacrário da história, para o Filho de Deus CNBB. Com Maria, rumo ao Novo Milênio. São Paulo: Paulinas, 1998, p.92. “Alegra-te, cheia de graça, o Senhor está contigo” (Lc 1,28). Maria é a mulher preparada, cheia de graça, imaculada antes de aceitar receber Cristo em seu ventre. Se torna modelo de uma cuidadosa preparação para receber o Cristo, que nos vem através da Eucaristia. Uma preparação, através da confissão, de um bom exame de consciência e de um sincero arrependimento. O olhar extasiado de Maria, quando contemplava o rosto do Menino Jesus, recém-nascido, e o estreitava nos seus braços, é o modelo mais alto de amor em que se devem inspirar todas as nossas comunidades eucarísticas.

Ao longo de toda a sua existência ao lado de Cristo, da encarnação ao nascimento, não encontrando lugar na hospedaria; da profecia de Simeão, no templo, de uma espada de dor que traspassaria sua alma; da fuga para o Egito até perder o menino em Jerusalém; da vida pública e não apenas no Calvário, Maria viveu a dimensão sacrificial da Eucaristia. Aos pés da cruz, viu e sentiu o drama do Filho crucificado. Preparando-se para o dia da morte, na cruz e no Calvário, Maria vive como que uma Eucaristia antecipada de sua participação na celebração eucarística presidida pelos Apóstolos como “memorial” da paixão (EE 56). Aquele corpo entregue em sacrifício, e presente agora nas espécies sacramentais do pão e do vinho, faz ressoar em Maria aquele coração que ela carregou em seu ventre.

No relato da última ceia, Jesus expressa o desejo que se torna mandato: “Fazei isto em memória de mim” (Lc 22, 19); viver o memorial sacrificial da morte de Cristo em cada Eucaristia implica também receber continuamente este dom e renová-lo em sua memória. Significa levar, para cada fiel e cada comunidade, a exemplo de João, aquela que Cristo sempre de novo nos dá como Mãe. Significa, ao mesmo tempo, assumir o compromisso de nos conformarmos com Cristo, no dizer de Paulo, de adquirirmos a estatura de Cristo, entrando na escola de Maria e aceitando a sua companhia de mulher, mãe e discípula (cf. EE 57). Maria está sempre presente, com a Igreja e como Mãe da Igreja, em cada uma das celebrações eucarísticas. Entre todos os santos, a Virgem Maria resplandece como modelo de santidade e de espiritualidade eucarística. Se a Igreja e Eucaristia são uma realidade indivisível, Maria e Eucaristia o são igualmente. O cristão que comunga bem assume com liberdade e responsabilidade o projeto de Deus revelado em Jesus Cristo como oferenda, oferta aos irmãos e irmãs numa atitude de serviço. Maria colocou-se como a serva do Senhor. Pela Eucaristia, a Igreja torna-se serva da missão, o sentido real e verdadeiro do Ite missa est!

Pela Eucaristia, a Igreja une os louvores de todos os homens e mulheres a Deus. Pode-se aprofundar esta verdade, relendo o Magnificat numa perspectiva eucarística, verdadeira ação de graças, de dizer ao Senhor “muito obrigado”. O cântico de Maria é louvor e ação de graças, quando exclama: “A minha alma glorifica o Senhor e o meu espírito exulta de alegria em Deus meu Salvador” (Lc 1, 47). Maria trouxe no seu ventre Jesus; louva o Pai por este Jesus, o Filho de Deus, mas louva-o também em Jesus e com Jesus. É nisso precisamente que consiste a verdadeira “atitude eucarística”. Aqui também está presente a tensão escatológica da Eucaristia, entre o já acontecido e o ainda não da consumação final; e precisamente assim a Igreja reza na grande aclamação memorial de missa: “Anunciamos, Senhor, a vossa morte e proclamamos a vossa ressurreição. Vinde, Senhor Jesus!” Maria canta e proclama aquele novo céu e aquela nova terra, já profetizados pelos profetas, cuja antecipação, em certa medida, se encontra na Eucaristia. Se o Magnificat exprime a espiritualidade de Maria, nada melhor do que essa espiritualidade poder ajudar a Igreja a viver o mistério eucarístico. Recebemos o dom da Eucaristia, dom de fé proclamado e dom a ser descoberto constantemente, para que a vida dos fiéis e da Igreja, à semelhança de Maria, seja toda ela um Magnificat, um “a minha alma engrandece o Senhor, e o meu espírito se alegra em Deus, meu Salvador” (Lc 1, 47; cf. EE 58).

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