FANDOM


liturgia Editar

Liturgia é o culto público da Igreja Católica. O termo liturgia provém do grego "leiton-ergon" serviço em favor do povo.

Introdução Editar

O termo “Liturgia”, hoje utilizado quase que exclusivamente para descrever o ato de culto, não nasceu em um ambiente religioso e nem mesmo mo mundo do Antigo Testamento. Ele surgiu na Grécia antiga, bem antes de Cristo. É uma palavra composta por duas raízes: leit(povo) e érgon(ação, empresa, obra). A palavra assim composta significa naquele ambiente em que nasceu: “ação, obra, empresa para o povo ou pública”. Por “liturgia” se entendia na Grécia, lá pelo século VI a.C, um serviço público feito para o povo por alguém de posses. Este realizava tal serviço ou de forma livre ou porque se sentia como que obrigado a fazê-lo, por ocupar elevada posição social e econômica. Assim, eram “liturgias” as promoções de festas populares, a promoção de jogos olímpicos ou o custeio de um destacamento militar ou de um navio de guerra em momentos de conflitos. Mais tarde, na época helenística, que compreende os séc. III a I a.C., a palavra vai mudar de sentido. Ora, como sabemos, as palavras numa língua viva costumam mudar de significado com o passar do tempo, e isso podemos comprovar facilmente na nossa língua portuguesa, como por exemplo, com a palavra “manga” que dá nome a uma fruta e ao mesmo tempo dá nome a uma parte da camisa que costumamos vestir. Assim, neste período, a palavra “liturgia” vai designar um trabalho obrigatório realizado por um determinado grupo como castigo por alguma desobediência contra o poder constituído, ou um trabalho em reconhecimento de honras recebidas. Também por “liturgia” começa-se a entender o serviço do servo para com o seu senhor ou um favorzinho de um amigo para com o outro. Deste modo, o termo perde o seu caráter de serviço público, ou seja, para a coletividade, que era o seu componente essencial. Todavia, nesta mesma época helenística, começamos a ver o termo “liturgia” sendo utilizado cada vez mais no sentido religioso-cultual, para indicar o serviço que algumas pessoas previamente escolhidas prestavam aos deuses. E é precisamente neste sentido técnico de serviço que se presta a Deus que a palavra vai entrar no Antigo Testamento e, tempos mais tardes, será acolhido no mundo cristão. De fato, no Antigo Testamento “liturgia” aparece 170 vezes, designando sempre o culto prestado a Deus, não por qualquer pessoa, mas apenas pelos sacerdotes e pelos levitas do Templo de Jerusalém. Quando se refere ao culto prestado pelo povo a Deus, o Antigo Testamento utiliza o termo latria(adoração). ou seja, “liturgia” para o culto prestado pelos sacerdotes do povo; e “adoração” para o culto prestado pelo povo. Este fato indica que os tradutores do Antigo Testamento da língua hebraica para a língua grega(que era a língua mais difundida no mundo naquele tempo) fizeram a escolha consciente do termo “liturgia”, dando-lhe um sentido técnico preciso para indicar somente o culto oficial destinado a Deus e realizado por uma categoria toda particular de pessoas reservadas para isso: os sacerdotes hebraicos. No Novo Testamento o termo “liturgia” aparece apenas 15 vezes, mas uma só vez em sentido de culto ritual dos cristãos(At 13,2). A razão deste desprezo pelo termo parece ser pelo fato de que “liturgia” recorda de maneira muito clara e direta os sacrifícios realizados no Templo e que foram muitas vezes criticados pelos profetas de Israel, por não serem verdadeiras expressões de amor e agradecimentos a Deus pelos benefícios recebidos, ou sinal de conversão dos pecados. Os sacrifícios onde o coração do homem não aparece, Deus não pode aceitar(Is 1,10-20; Jr 7,3-11; Os 6,6; Am 5,21-25). No cristianismo primitivo o termo “liturgia” também resiste em aparecer. Os primeiros cristãos adotando o “espiritualismo cultual”, isto é, aquele tipo de culto realizado em “espírito e verdade, não mais ligado às instituições do sacerdócio ou do Templo, seja o de Jerusalém ou de Garizim(Jo 4,19-26) não sentem a necessidade de utilizar uma palavra que havia servido para identificar explicitamente um culto oficial, feito segundo regras e práticas precisas, tal qual era o sacrifício hebraico, vazio de espírito e rico em exterioridade. Mas já na Igreja pós-apostólica, a palavra “liturgia” vai perdendo parte de seu aspecto negativo e começa a distinguir os ritos do culto cristão. Entre nós, que utilizamos a língua e ritos latino, o termo “liturgia” será completamente ignorado e só aparecerá no séc. XVI. Somente por ocasião do Movimento Litúrgico da primeira parte do séc. XX, o termo será usado com grande força, sendo que o Concílio Vaticano II o consagrará nos seus diversos documento, em especial na Constituição sobre a Sagrada Liturgia “Sacrosanctum Concilium”, entendendo sempre “liturgia” como “o exercício do sacerdócio de Jesus Cristo”(SC 7) ou o “cume em direção ao qual se dirige toda a ação da igreja e, ao mesmo tempo, a fonte de qual sai toda a sua força”(SC 10). Deste modo, a liturgia, como exercício da função sacerdotal de Cristo, comporta um duplo movimento: de Deus para nós homens, para operar nossa santificação, e de nós homens para Deus, para que possamos adorá-lo em espírito e verdade. Por isso, a liturgia, de um modo geral, pode ser entendida como um diálogo entre Deus-Trindade e o Homen-Comunidade. Este diálogo é composto de vários momentos. Cada momento tem seu “espírito” próprio, seu sentimento peculiar e, portanto, uma expressão diferenciada. Adaptando-se a essa espiritualidade, cada momento exige um tipo de expressão musical, um tipo de gesto, uma maneira diferente de responder às orações e, ao mesmo tempo, diversos sinais e símbolos diferentes.

Definição Editar

Liturgia não é somente a “Festa do Rei Jesus. Um dos nossos maiores pecados hoje em dia é reduzirmos o assunto liturgia à celebração da missa e defini-la apenas como um conjunto de rituais e orações que nos levam ao céu. E tudo isso fruto de uma crescente automação religiosa, que podemos perceber a cada domingo em nossas assembléias litúrgicas. As pessoas vão à missa sem saber o porque de estarem ali e nem o que está acontecendo perante elas. São meros espectadores do preceito dominical ensinado por seus pais. Talvez seja por isso que nós católicos sejamos tão criticados. A liturgia é muito mais do que isso. Vejamos a definição de liturgia dada pelo Concílio Vaticano II:

“Liturgia é uma ação sagrada, através da qual, com ritos, na Igreja e pela Igreja, se exerce e prolonga a obra sacerdotal de Cristo, que tem por objetivos a santificação dos homens e a glorificação de Deus” (SC 7).

Em outras palavras, a liturgia é a continuidade do plano de salvação do Pai, através da presença mística de Cristo nos sacramentos, que são administrados e perpetuados pela Igreja. Note-se, à Igreja cabe a missão de continuar a obra de Cristo, que se dá, sobretudo, através da liturgia. Sem liturgia, não há Igreja e sem Igreja não há liturgia. E sem liturgia não há continuidade no mistério da salvação da humanidade.

História da Salvação e Liturgia Editar

Para se entender a liturgia, devemos situá-la no contexto da história da salvação. A história da salvação tem sua origem no plano eterno de Deus, ou seja, antes da criação do mundo. Ele chamou todos os homens à plenitude da vida mediante se filho, num ato de amor totalmente gratuito(Ef 1,3-6;2Tim 1,9;1Tim 2,4). Este “mistério escondido desde os séculos em Deus”(Cl l,26), foi sendo revelado aos poucos no Antigo testamento, que é o “tempo da promessa”. Nesse tempo, Deus falou aos homens através dos patriarcas e profetas muitas vezes e de muitos modos(Heb 1,1). O tempo da promessa foi desenvolvido e desembocou na “plenitude dos tempos”(Gal 4,4;Ef 1,10) que é o “tempo de Cristo”: “O Verbo se fez carne e habitou entre nós”(Jo 1,14). O que era prometido tornou-se realidade presente. Jesus Cristo reconciliou o homem decaído pelo pecado, com Deus. O tempo de Cristo se prolonga no “tempo da Igreja”, que é também o tempo de cristo em seu corpo místico, que é a igreja. O último tempo da história da salvação, pode-se dizer que é o “tempo da liturgia”. Esta torna presente a obra redentora de Cristo mediante sinais sagrados, para que participemos da história da salvação. Nós somos “atores” da história da salvação, e, inseridos em Cristo pelos sacramentos, desempenhamos nosso papel próprio no desígnio divino de salvar o mundo. Vê-se que a liturgia não é um espetáculo sagrado definido pelas normas e rubricas, mas é a própria história da salvação acontecendo. Tudo o que deus realizou através dos séculos em favor da salvação humana(a Páscoa do AT, com seu cordeiro, a travessia do Mar Vermelho, o maná, a libertação frente ao Faraó, a Morte e Ressurreição de Jesus, et...), desdobra-se na liturgia e assume um sentido concreto e vivo na vida do cristão. A história passada deixa de ser mero passado para tornar-se presente e atuante em nosso favor. Os fatos anunciados ou narrados vêm a ser representados(feitos de novo presentes), para nossa participação. O esquema abaixo nos ajudará a entender um pouco melhor essa série de “tempos”:

Tempo da Promessa = Antigo Testamento Tempo de Cristo = Plenitude dos Tempos Tempo da Igreja e da Liturgia = Tempo de Cristo presente nos Sacramentos

Podemos perceber, então, que o rito litúrgico, na sua materialidade, é portador do poder restaurador do Verbo de Deus. O rito litúrgico, seja qual for ele (Batismo,Crisma,Eucaristia,etc...) é como que a mão prolongada de Cristo, que nos transmite a vida do próprio Pai. O catecismo da Igreja Católica nos ensina que “sacramento é um sinal que indica uma realidade sagrada e, indicando-a, a realiza ou torna-a presente e atuante”. Deste modo, pelo fato da liturgia estar presente nos sacramentos, podemos falar de “liturgia sacramental”. O cristianismo baseia-se sobre a revelação que Deus faz de si e do seu plano de salvação aos homens. Toda essa revelação se faz através de sinais ou símbolos(palavras,gestos,objetos,etc...). Os sinais, no caso da revelação de Deus, são chamados de “sinais sagrados”. Esses sinais sagrados, na comunicação de Deus aos homens, não são meros acenos para a inteligência ou não ficam apenas no plano meramente intelectual ou psicológico. Eles têm um poder eficiente. Efetuam, de certo modo, o que significam. Efetuam a salvação oferecida por Cristo, através deles. Deste modo, Cristo nos deixou os sinais do pão e do vinho, da água, do óleo, da palavra, etc..., para que sejam canais de salvação. Os sinais são diversos, mas o plano de Deus é um só. A Tradição Cristã utilizou a palavra “sacramento” para designar esses sinais sagrados da salvação. Vejamos, rapidamente, o significado e a origem pa palavra “sacramento”. A palavra “sacramentum”, na linguagem latina, significava o juramento pelo qual um soldado romano se consagrava a Roma(tanto à cidade como à deusa), prometendo-lhe fidelidade. Como conseqüência, trazia um selo ou sinal gravado no corpo. Os cristãos transpuseram esse termo para o seu vocabulário, julgando que podiam exprimir com ele, a consagração a Cristo. Jesus é o “SACRAMENTO POR EXCELÊNCIA”. E os ritos da Igreja transmissores da graça de Cristo, são também chamados de “sacramentos”. Devem ser considerados como a mão prolongada de cristo ou como instrumentos de Cristo.

OBS.: Neste Estudo apreciaremos apenas o Sacramento da Eucaristia


Teologia da missa Editar

No meio do caminho havia uma pedra. Aparentemente uma simples pedra. Os que passavam tropeçavam nela. E ela ia rolando para frente e para trás. Um dia alguém parou, pegou aquela pedra e a limpou da poeira. Então viu que era uma pedra preciosa. A Missa é semelhante a essa pedra. Não que ela esteja suja, mas os nossos olhos estão cobertos da sujeira da ignorância ou do preconceito, o que nos impede de ver a missa como ela é realmente, na pureza de sua origem divina e na beleza de seu mistério. Se fizermos uma pesquisa com o título: Por que fui à missa? A maioria das respostas seria estas: “Fui porque era Natal, porque era dia de falecimento de amigo, porque era aniversário de alguém, porque tinha gente bonita...” Infelizmente é uma realidade; somente 20% das pessoas que vão a Missa são “Católicos Verdadeiros”. E você, Por quê vai a Missa? Você vai de vez em quando ou todos os domingos? Vai por obrigação e interesse, para adorar a Jesus que TUDO fez por você? A Missa é muito mais que uma oração. Precisamos conhecê-la melhor para um dia podermos vivê-la. A Missa é o sacrifício de Jesus no calvário; também na Missa sabemos o que Ele quer de nós, é na missa que aprendemos a perdoar e aprendemos a agradecer. Não adianta ir a Missa para assistir, devemos ir para participar, pois quem assiste é apenas um espectador, mas quem participa vive, entende e se emociona com tudo aquilo que está acontecendo. A santa Missa é o sacrifício do corpo e do sangue de Nosso Senhor Jesus Cristo, oferecido em nossos altares, em memória do sacrifício da Cruz. O Santo sacrifício da Missa é oferecido:

1.Para adorar e glorificar a Deus; 2.Para agradecer a Deus os benefícios recebidos; 3.Para obter de Deus o perdão dos pecados; 4.Para pedir a Deus graças e favores;

Para tanto há testemunhos de verdadeiros católicos que deram muito valor a Santa Missa:

“Na hora da morte, as Missas, às quais tiveres assistido, serão a tua maior consolação. Um dos fins da Santa Missa é alcançar para ti o perdão dos teus pecados. Em cada Santa Missa, pois podes diminuir a pena temporal devida aos teus pecados – pena essa que será diminuída na proporção do teu fervor. Será ratificada no céu a benção, que do sacerdote receberes na Santa Missa. Assistindo a Santa Missa com devoção, prestas a maior das honras à Santa Humanidade de Jesus Cristo”. ( Santo Agostinho )

“Cada Missa à que assistires, alcançar-te-á no céu maior grau de glória. Será abençoado em teus negócios pessoais e obterás as graças que te são necessárias”. (São Jerônimo )

“Todas as Missas tem um valor infinito, pois são celebradas pelo próprio Jesus Cristo com uma devoção e amor acima do entendimento dos anjos e dos homens, constituindo o meio mais eficaz, que nos deixou Nosso Senhor Jesus Cristo, para a Salvação da humanidade”. ( São Matildes )

Na liturgia, a Igreja de Cristo, Una, Santa, Católica e Apostólica, se une ao coro dos anjos e santos, para celebrar a vitória de Deus sobre o pecado, e render-Lhe glória e ação de graças para sempre. Através da adoração que sai do coração do crente, "em espírito e em verdade." (Jo 4,24), sabemos ser parte do Corpo do Senhor Jesus, salvos pelo Seu sangue e em eterno louvor ao Deus que é Uno e Trino. E essa adoração é espiritual e verdadeira porque é a única que agrada ao Pai, a Cruz, novamente sendo realizada diante dos olhos de todos, sobre o altar de uma igreja. Não é um símbolo de uma adoração, mas uma adoração em verdade! Não um arremedo de adoração piedosa, mas uma adoração em espírito! O Espírito Santo, autor da liturgia, prepara o Povo de Deus, de reis, sacerdotes e profetas, para, diuturnamente, celebrar a perene adoração de Cristo, morto, ressuscitado e glorificado no céu. Por nossa participação nela, antegozamos a liturgia celeste, modelo para nosso culto na terra. Deus, do alto dos céus, contempla a Igreja Militante, Triunfante e Padecente que, poderosamente avança em Sua direção, para prestar-Lhe um culto excelente: "quem é essa que surge como a aurora, bela como a lua, brilhante como o sol, temível como um exército em ordem de batalha?" (Ct 6,10) Todos os povos, na História, quaisquer sejam suas crenças, manifestaram sua gratidão e temor diante do transcendente. Movidos pelo sentimento de perda do divino, que lhe é intrínseco desde a queda original, o homem tem buscado agradar a divindade e dar-lhe culto, mesmo que imperfeito. Desde a revelação a Abraão, porém, Deus se torna amigo do homem e dá regras claras de como celebrar Sua majestade. Pela aliança com nosso pai na fé, o Senhor pede, como prova de que ele o ama, a entrega de seu próprio filho, como vítima sacrifical. É pela confiança no Deus que não falha, que Abraão toma Isaac, o filho prometido, e o encaminha para o grande altar onde o oferecerá em sacrifício. Todos conhecemos o final da história. O anjo intervém, dizendo-lhe que sua fé foi testada e aprovada. E a entrega de seu filho se torna um tipo da expiação que nos dará a Nova Aliança: um Pai que não hesita em oferecer o Filho Unigênito, Jesus Cristo, que dá seu precioso Sangue para remissão dos pecados (cf. Ef 1,7). Pela sua morte, o Cordeiro, como é chamado em alusão às ofertas realizadas no rito mosaico, nos abre as portas do Paraíso. Rasgando, em duas partes, o véu do Templo (cf. Mc 15,38), o sacrifício de Cristo nos garante a vitória e realiza todos os símbolos do sacerdócio levítico. É Ele, agora, o novo Sumo Sacerdote, Aquele que entra no Santo dos Santos, e, tornando a Cruz um novo e perfeito altar, se oferece, de uma vez por todas (cf. Hb 10,12) por nossos pecados. Morrendo nossa morte, para que vivamos Sua vida, "temos ampla confiança para entrar no santuário eterno, em virtude do sangue de Jesus, pelo caminho novo e vivo que nos abriu através do véu, isto é, o caminho de seu próprio corpo." (Hb 10,19-20) A liturgia, que se realiza, de modo mais especial na celebração da Santa Missa - a Liturgia Eucarística -, mais do que um simples culto, é a memória desse sacrifício de Cristo, que nos merece a salvação a todos os que se achegam a Seu trono. Pois, se "é gratuitamente que fostes salvos, mediante a fé" (Ef 2,8), temos a certeza de que, uma vez arrependidos de nossos pecados, e vivendo por Ele e como Ele viveu, crendo-O nosso único e suficiente Salvador, temos a vida eterna em nós. Se essa salvação se deu através do oferecimento de Jesus no Calvário, é a Cruz a causa da nossa alegria. "A linguagem da cruz é loucura para os que se perdem, mas, para os que foram salvos, para nós, é uma força divina." (I Co 18). A Cruz é a porta estreita (cf. Lc 13,24), por cuja entrada somos salvos. Ora, essa memória da Cruz, perpetuada pela liturgia, não é apenas uma lembrança do sacrifício. Se é verdade que o sacrifício foi único, também é verdade que esse sacrifício é lembrado, sendo tornado presente. Esse é o sentido do termo grego anamnesis, traduzido em nossas Bíblias por "memória". É mais do que memória! É um verdadeiro "recordar tornando presente". Nos cultos protestantes, há uma memória através da Santa Ceia. Nós, católicos, ao invés, não fazemos apenas menção. Não é uma festa nostálgica, mas uma festa onde Cristo, nosso Sumo Sacerdote, está presente de forma real. Jesus que já está no céu, se faz presente aqui na terra. vemos aí dois grandes temas: a associação entre as liturgias terrena e celeste; e o sacrifício vicário de Jesus Cristo para nos dar a vida eterna. Naquela associação entre os coros dos santos da terra e do céu, tornamos presente essa única e verdadeira entrega de Nosso Senhor na Cruz do Calvário. Essa associação, outrossim, demonstra como viveremos, na glória, quando da Volta de Jesus ao mundo, para julgar os vivos e os mortos. É o caráter escatológico da Liturgia Eucarística. Essa união, diz o Catecismo da Igreja Católica, a partir do cânon 1099, é feita pelo Espírito Santo. "O Espírito Santo, que desperta assim a memória da Igreja, suscita então a ação de graças e o louvor (doxologia)" (Cat. 1103) Não só os textos litúrgicos refletem sua essência. Também o Magistério da Santa Igreja se pronuncia e interpreta: "Na Liturgia terrena, antegozando, participamos da Liturgia celeste, que se celebra na cidade santa de Jerusalém, para a qual, peregrinos, nos encaminhamos. Lá, Cristo está sentado à direita de Deus, ministro do santuário e do tabernáculo verdadeiro; com toda a milícia do exército celestial entoamos um hino de glória ao Senhor e, venerando a memória dos Santos, esperamos fazer parte da sociedade deles; suspiramos pelo Salvador, Nosso Senhor Jesus Cristo, até que Ele, nossa vida, Se manifeste, e nós apareçamos com Ela na glória." (Concílio Ecumênico Vaticano II, Constituição "Sacrosanctum Concilium", 8) Ocorre que a Missa não é apenas a associação terrena com as potestades celestiais, tampouco somente a renovação do Calvário. Ela é a conversão do pão e do vinho em Corpo e Sangue de Nosso Senhor Jesus Cristo, a mudança da substância dos elementos oferecidos. "Quem come a minha carne e bebe o meu sangue tem a vida eterna; e eu o ressuscitarei no último dia. Pois a minha carne é verdadeiramente uma comida e o meu sangue, verdadeiramente uma bebida." (Jo 6,54-55) Nosso Senhor mesmo estabeleceu o sacrifício da Missa, como memória e presença real de Seu sacrifício na Cruz: "Na Última Ceia, na noite em que foi entregue, nosso Salvador instituiu o Sacrifício Eucarístico de Seu Corpo e Sangue. Por ele, perpetua pelos séculos, até que volte, o Sacrifício da Cruz, confiando destarte à Igreja, Sua dileta Esposa, o memorial de Sua Morte e Ressurreição: sacramento de piedade, sinal de unidade, vínculo de caridade, banquete pascal, em que Cristo nos é comunicado em alimento, o espírito é repleto de graça e nos é dado o penhor da futura glória." (Concílio Ecumênico Vaticano II, Constituição "Sacrosanctum Concilium", 47) Os Padres da Igreja(os grandes escritores católicos dos primeiro séculos)já ensinaram: "Perguntas como o pão se converte no Corpo de Cristo e o vinho... em Sangue de Cristo. Respondo-te: o Espírito Santo irrompe e realiza aquilo que ultrapassa toda palavra e todo pensamento... Acontenta-te com saber que isso acontece por obra do Espírito Santo, do mesmo modo que, da Santíssima Virgem e pelo mesmo Espírito Santo, o Senhor por si mesmo e em si mesmo assumiu a nossa carne." (São João Damasceno, f.o. 4, 13) Ajuda na resposta, o Doutor Angélico, São Tomás de Aquino: "No Sacramento da Eucaristia, em virtude das palavras da instituição, as espécies simbólicas se mudam em corpo e sangue; seus acidentes subsistem no sujeito; e nele, pela consagração, sem violação das leis da natureza, o Cristo único e inteiro existe Ele próprio em diversos lugares, assim como uma voz é ouvida e existe em vários lugares, continuando inalterado e permanecendo inviolável quando dividido, sem sofrer diminuição alguma. Cristo, de fato, está inteira perfeitamente em cada e em todo fragmento de hóstia, assim como as aparências visíveis que se multiplicam em centenas de espelhos." (Summa Theologiae, IIIa Pars, Qs. 79) Por causa de tão solenes e distintivas marcas, a Liturgia da Igreja Católica, especialmente a Santa Missa (que nos recorda o sacrifício, une anjos, santos e seres humanos, e converte pão e vinho em Corpo e Sangue de Cristo), merece destacado estudo para conhecermos como ela está sendo celebrada em nossas igrejas, comunidades e em nossas vidas.

Teologia eucarística Editar

O sacramento da Eucaristia é o ápice da vida do crente. Pela presença do Senhor Jesus, real e vivo, nesse sacramento, a graça de Deus, manifestada sobretudo na morte e ressurreição de Seu Filho unigênito (cf. Rm 5,8-11), se torna sensível aos fiéis e é celebrada pela Igreja, quando faz presente, pelo Espírito Santo, o único sacrifício de Cristo (cf. Hb 10,11-12) realizado na cruz. A mesa da Eucaristia, o Calvário que é renovado pelo altar, reúne os cristãos locais e do mundo inteiro para, real e espiritualmente, oferecerem sacríficio de louvor (cf. Ef 5,1-2) e assisitirem o Cristo ressuscitado, que, por Seu corpo glorioso, não é preso a noção espaço-temporal, e, por essa razão "é o mesmo ontem, e hoje, e eternamente" (Hb 13,8), tornar presente Sua entrega máxima, para expiação dos pecados da Igreja, Povo de Deus.

A Eucaristia, cujo significado vem do grego, e quer dizer "ação de graças", possui inúmeros aspectos teológicos e de piedade a serem analisados. Antes de tudo, ela é a comemoração da morte de Jesus, na cruz (cf. Jo 19,30), e de Sua ressurreição gloriosa (cf. Mc 16,1-6). Jesus, ao instituir a celebração eucarística, diz "fazei isso em memória de mim" (Lc 22,19; I Co 11,24). Contudo, essa memória (gr. anamnesis), em sua raiz lingüística, não significa o mesmo "memória" usado nas línguas latinas. Pode ser traduzido, como se falou na parte propedêutica desse estudo, como "recordar tornando presente". Por isso, essa comemoração é atual, pois o sacrifício é renovado, é tornando presente. Não se trata de um novo sacrifício, nem de um complemento do sacrifício anterior, pois a Bíblia afirma que Jesus se entregou de uma só vez (cf. Hb 10, 12), e essa entrega foi suficiente para nos merecer a justificação (cf. Tg 3,7; Rm 3,24; 5,8-9), segundo a nossa fé (cf. Rm 1,17; Hb 10,38). É o antigo, o único sacrifício, cruento, que se realiza aos olhos do crente atual, visto que Deus é o Senhor do tempo (cf. Gn 21,2; Sl 31,15/heb). "Porque todas as vezes que comerdes este pão e beberdes este cálice, anunciais a morte do Senhor..." (I Co 11,26).

A Eucaristia é, ainda, o testemunho da unidade dos cristãos. Por isso é chamada de comunhão (gr. koinonia). Reunidos em um mesmo lugar, eles partem o pão (cf. At 2,42), ou seja, reconhecem que o irmão, lavado por Jesus, também deve participar da Ceia Santíssima. Por isso, Jesus exorta ao cumprimento da disciplina espiritual que ordena que o participante do altar deva primeiro se reconciliar com o irmão antes de comungar do sacrifício (cf. Mt 5,23-24). Também o apóstolo Paulo alerta sobre algo semelhante, e ainda abrange toda a sorte de pecados, que devem se evitados afim de que possamos participar dignamente da Eucaristia. Uma vez que somos um só Corpo Místico (cf. I Co 12), não devemos atentar contra a nossa saúde espiritual, pois afetamos a saúde de todo o corpo. Assim, São Paulo lembra de não comungarmos da Ceia em estado de pecado: "Portanto, qualquer que comer este pão ou beber o cálice do Senhor, indignamente, será culpado do corpo e do sangue do Senhor. Examine-se, pois, o homem a si mesmo, e assim coma deste pão, e beba deste cálice." (I Co 11,27-28). Sem a graça de Deus nos perdoando, não podemos participar dignamente da Eucaristia.

A celebração tem também o seu aspecto escatológico, uma vez que celebramos "... até que venha" (I Co 11,26) o Senhor Jesus. É na celebração da morte de Cristo que encontramos motivação para estarmos santos, e nos abstermos de tudo o que procede do mal (cf. I Ts 5,22). Na Ceia, prefiguramos o céu, e mesmo o Reino que há de vir, como que num banquete celeste com o Cordeiro e todos os salvos (cf. Mt 8,11; 22,1-14; Mc 14,25; Lc 13,29; 22,17-18.30). A própria liturgia eucarística nos lembra esse pedido para a parusia do Senhor. Nas diversas orações das liturgias ocidental e oriental, a menção à característica escatológica da celebração sacramental é marcante. É o Corpo do Senhor que nos dá forças para esperarmos Sua Volta Gloriosa, para arrebatar os crentes (cf. I Ts 4,15-17), e para clamarmos: Maranata! "Ora, vem, Senhor Jesus!" (Ap 22,20).

Também é na Liturgia Eucarística que testemunhamos ao mundo nossa adesão a Cristo, nosso reconhecimento de Seu senhorio (cf. Rm 10,9) em nossa vida. Nesse testemunho, louvamos ao Pai, com ação de graças (de onde o nome grego eucharistia), sobretudo pelo motivo pelo qual celebramos o sacramento, isto é, pela salvação advinda da morte e ressurreição de Cristo, mas também por todas as bênçãos recebidas, espirituais e materiais. A Eucaristia é o alimento dos crentes (cf. Jo 6,50-51). "Enquanto comiam, Jesus tomou o pão, e, abençoando-o, o partiu, e o deu aos discípulos, e disse: Tomai, comei, isto é o meu corpo. E, tomando o cálice, e dando graças, deu-lho, dizendo: Bebei dele todos. Porque isto é o meu sangue, o sangue o Novo Testamento, que é derramado por muitos, para a remissão dos pecados." (Mt 25,26-28). Destacamos alguns termos que são usados na teologia clássica para o estudo da dogmática sacramental. Existem a matéria e a forma. Na celebração da Eucaristia, a matéria são as espécies de pão e vinho, enquanto a forma são as palavras da instituição da Ceia. Para a validade, se requer ainda a intenção de celebrar (mesmo que não o sacerdote não creia, ele precisa querer fazer o que a Igreja Católica faz, e isso é demonstrado quando do seguimento das rubricas, por exemplo), e o poder (gr. dynamis) carismático dado ao celebrante (ou seja, deve ser um sacerdote validamente ordenado - católico romano, ortodoxo, vétero-católico, jansenista ou outro cismático que mantenha as Ordens válidas). São Tomás de Aquino chamou a mudança das substâncias de pão e vinho em Corpo e Sangue do Senhor, de transubstanciação. A partir de estudos de teologia patrística, sobretudo Santo Agostinho, Santo Ambrósio e São João Crisóstomo, chegou à conclusão que Cristo se fazia realmente presente na Eucaristia, e que as espécies de pão e vinho se transformavam, em sua substância, em verdadeira Carne e verdadeira Bebida do Senhor. O Catecismo qualifica o sacrifício eucarístico como ação de graças, memorial e presença. Ação de graças, pois é reconhecimento do louvor e da glória de Deus. Sob esse aspecto, unimo-nos à multidão dos anjos e aos santos do céu, tornando nossas liturgias um só ato de adoração. É, sobretudo dirigida ao Pai. Como memorial, tornamos presente o sacrifício que nos liberta do pecado. "A Eucaristia é o memorial da Páscoa de Cristo, a atualização e a oferta sacramental do seu único sacrifício na liturgia da Igreja, que é o corpo dele." (Cat. 1362).

Ensina o Concílio Ecumênico de Trento: "[Cristo] nosso Deus e Senhor ofereceu-se a si mesmo a Deus Pai uma vez por todas, morrendo como intercessor sobre o altar da cruz, a fim de realizar por eles (os homens) uma redenção eterna. Todavia, como a sua morte não devia pôr fim ao sacerdócio (cf. Hb 7,24.27), na Última Ceia, 'na noite em que foi entregue' (I Co 11,13), quis deixar à Igreja, sua Esposa muito amada, um sacrifício visível (como o reclama a natureza humana) em que seria re-presentado (feito presente) o sacrifício cruento que ia realizar-se uma vez por todas uma única vez na cruz, sacrifício este cuja memória haveria de perpetuar-se até o fim dos séculos (I Co 11,23) e cuja virtude salutar haveria de aplicar-se à redenção dos pecados que cometemos cada dia." (DS 1740)

"Neste divino sacrifício que se realiza na missa, este mesmo Cristo, que se ofereceu a si mesmo uma vez de maneira cruenta no altar da cruz, está contido e é imolado de maneira incruenta." (DS 1743) É a Missa também uma presença. Mais do que a presença espiritual de Cristo, que, por sua promessa, se dá todas as vezes que dois ou mais se reúnem em Seu Nome. Mais do que a presença simbólica nas espécies eucarísticas, como pretendem os batistas e pentecostais clássicos. Mais do que a presença real apenas do poder de Cristo nos elementos, como ensinou, erroneamente, Calvino. Mais do que a coexistência entre pão, vinho, Corpo e Sangue, numa consubstanciação de forte tradição luterana. A presença de Cristo na Eucaristia é real, pois ela é a essência do Sacramento do Altar. Para haver um verdadeiro sacrifício, deve existir uma verdadeira vítima. Essa vítima, tornada presente, é Cristo. Um sacrifício único se torna novamente presente. E Jesus se torna novamente presente, também. Não um novo sacrifício, como também não é um outro Jesus Cristo que se oferece. "(...) se torna novamente presente a vitória e o triunfo de Sua morte." (Concílio Ecumênico de Trento, Sessão XIII, Decreto "De Ss. Eucharistia", 5)

"Pois aquele que agora oferece pelo ministério dos sacerdotes é o mesmo que outrora se ofereceu na Cruz." (Concílio Ecumênico de Trento, Sessão XXII, Decreto "De Ss. Missae Sacrificio", 2)

Frutos da Liturgia corretamente celebrada Editar

Uma vez que "a Liturgia é o cume para o qual tende a ação da Igreja e, ao mesmo tempo, é a fonte donde emana toda a sua força" (Concílio Ecumênico Vaticano II, Constituição "Sacrosanctum Concilium", 10), é urgente que percebamos seus frutos de uma maneira adequada. Se a liturgia une céu e terra, e, na celebração da Santa Missa, é meio único e eficiente para converter as ofertas na presença real de Jesus Cristo, recordando o Seu sacrifício, temos daí que grandes frutos espirituais nos são dados. Podemos elencá-los, a partir dos pedidos feitos na Oração Eucarística, segundo o rito romano:

•Deus nos torna dignos de estar em Sua presença e O servir; •Somos reunidos pelo Espírito Santo num só Corpo, a Una e Santa Igreja Católica e Apostólica, que cresce na caridade, com o papa, com os bispos e com todos os ministros do Povo de Deus; •O Senhor se lembra dos fiéis defuntos pelos quais celebramos Missa; •Ele tem piedade de todos nós e nos dá participar da vida eterna, com a Virgem Maria, Mãe de Deus, com os santos apóstolos e todos os que neste mundo O serviram. A Eucaristia nos prepara à santidade, e, mais do que mera recompensa aos santos, como queriam os hereges jansenistas, é um verdadeiro remédio contra nossos pecados. Ao mesmo tempo em que devemos estar purificados de todos os pecados mortais ao nos aproximarmos do Corpo do Senhor, sabemos que, ao comungarmos d´Ele, recebemos o perdão das faltas veniais e como que uma vacina contra posteriores quedas. O sacramento desperta em nós o gosto, por vezes sensível, das consolações divinas, e nos faz almejar sempre a santidade. Assim se expressa Salomão em seus cânticos, numa imagem, já preferida pelos Padres, de Cristo dirigindo palavras à Sua Esposa, a Santa Igreja Católica: "Como és bela e graciosa, ó meu amor, ó minhas delícias! Teu porte assemelha-se ao da palmeira, de que teus dois seios são os cachos. Vou subir à palmeira, disse eu comigo mesmo, e colherei os seus frutos. Sejam-me os teus seios como os cachos da vinha. E o perfume de tua boca como o odor das maçãs; teus beijos são como um vinho delicioso que corre para o bem-amado, umedecendo-lhe os lábios na hora do sono." (Ct 7,7-10) O Senhor Jesus se alegra e mostra todo o Seu amor pela Amada, a Igreja, que, reunida no céu e na terra, celebra Sua adoração, renovando o sacrifício que nos reconcilia consigo e com Seu Pai celeste, no poder do Espírito Santo. Respondendo Seu apelo, a assembléia dos santos do céu, em sua contínua adoração, e a assembléia dos santos da terra, reunidos na Santa Missa, deve celebrar de forma a refletir o espírito da liturgia: sacrifício verdadeiro, comunhão dos santos, união mística entre Nosso Senhor Jesus Cristo e a Una e Santa Igreja Católica e Apostólica, resposta de amor e fidelidade a Deus e Sua autoridade na terra constituída. Para isso, o autor do Cântico dos Cânticos descreve a resposta de sua amada, a Sulamita, tipo da Igreja: "Eu sou para o meu amado o objeto de seus desejos. Vem, meu bem-amado, saiamos ao campo, passemos a noite nos pomares; pela manhã iremos às vinhas, para ver se a vinha lançou rebentos, se as suas flores se abrem, se as romãzeiras estão em flor. Ali te darei as minhas carícias. As mandrágoras exalam o seu perfume; temos à nossa porta frutos excelentes, novos e velhos que guardei para ti, meu bem-amado." (Ct 7,11-14) A Missa é o lugar das delícias, onde a Igreja e Cristo deleitam-se, manifestando o amor um para com o outro, de forma plena e pura. Eis a razão da imagem matrimonial. Nela, a Una e Santa Igreja Católica e Apostólica, une-se, pela comunhão dos santos, totalmente. E unida, por sua vez, une-se ao Seu Esposo, Nosso Senhor Jesus Cristo, para O adorar, oferecê-Lo como sacrifício único tornado novamente presente (nesse aspecto, Cristo é vítima), fazer-se Cristo na pessoa do padre (nesse aspecto, Cristo é sacerdote) e, dizemos mais, para O amar, como no cântico. Por essa razão, se requer que o culto, dentro do qual a Eucaristia é celebrada, seja perfeita imagem da solene liturgia celeste. Cada qual deve ser imbuído de um genuíno espírito de adoração. Todos devem ter plena consciência de que o que se está celebrando não é uma simples reunião de oração e louvor, mas a adoração pessoal ao Deus vivo, mediante a mais perfeita forma de cultuá-Lo: o sacrifício de Seu Filho, que nos reconcilia com Ele. Os celebrantes da liturgia (sacerdote, diácono, assistência) não devem apenas recitar palavras, nem se portar como se estivessem numa importante reunião de oração. A Missa não é uma reunião de oração. Para isso, basta um grupo de pessoas reunidas e rezando, sem a necessidade da presença de uma pessoa ordenada. A Missa é um sacrifício. E tudo deve para ele apontar. "(...) a Liturgia cada dia edifica em templo santo ao Senhor, em tabernáculo de Deus o Espírito aqueles que estão dentro dela, até a medida da idade da plenitude de Cristo, ao mesmo tempo admiravelmente lhes robustece as forças para que preguem Cristo." (Concílio Ecumênico Vaticano II; Sacrosanctum Concilium, 2) Se as pessoas, inclusive católicas praticantes, perderam a noção sacrifical da Missa, foi pela não observância das rubricas prescritas nos livros litúrgicos. Cada gesto, cada ação, cada palavra, cada veste, cada vaso, cada oração, tudo tem seu significado e remete ao sacrifício que se vai oferecer. Tudo simboliza a união entre a Igreja da terra e a Igreja do céu, que juntas formam a única Esposa do Cordeiro. Logo, se celebramos a liturgia como ela deve ser feita, além dos dons invisíveis de graça e santidade serem aumentados (pois, nos rendemos mais à ação do Espírito pela contemplação do mysterium fidei, e, via de conseqüência, captamos melhor o fruto do sacrifício, isto é, a nossa santificação cotidiana), percebemos uma variedade enorme de sinais à Igreja. A Liturgia da Missa reflete a liturgia do céu. A Liturgia da Missa é um sacrifício verdadeiro, não uma mera dramatização espiritual do mesmo. A Liturgia da Missa é um memorial de como fomos salvos pela Paixão de Cristo. A Liturgia da Missa é a presença real do Corpo e do Sangue de Nosso Senhor, dignos de toda adoração. É evidente, pois, que os fiéis tenham bem presentes essas idéias, para melhor receber as graças próprias da Missa. Mesmo não comungando, a Missa em si nos traz infinitos e gratuitos méritos do Coração de Deus. Por isso, o Missal Romano, prescreve determinados atos, orações, gestos, vasos e paramentos. Uma oração litúrgica deve ser rezada de certa maneira, não por obediência apenas - muito embora, ela seja uma grande virtude, que nos conduz à santidade. A fidelidade aos ritos litúrgicos cria o aludido ambiente de adoração, nos remete à liturgia celeste, e nos aponta para o sacrifício que ocorre no novo Gólgota, o altar da igreja - parte mais importante da arquitetura eclesial. Devemos, por humilde obediência ao Santo Padre e a nossas tradições litúrgicas próprias, seguir, à risca, cada rubrica do Missal. É fazendo cada oração contida no próprio do dia ou ditada pela liturgia, executando determinado ato ou gesto, usando certos vasos e paramentando-se conforme as normas canônicas, que se sobressai o que, essencialmente, é a Santa Missa. As normas do rito romano servem para, quando as seguimos fielmente, conforme nos ordena o Concílio Vaticano II, na sua Constituição Sacrosanctum Concilium, melhor apresentarmos ao povo de Deus que o que está ocorrendo na Missa não é uma narração da Santa Ceia, mas a própria; não uma representação do Calvário, mas o próprio, tornado presente! Temos de seguir as rubricas! Esse seguimento dá mais frutos além dos mencionados. Certo que qualquer Missa, mesmo celebrada de maneira heterodoxa - quando válida, apenas -, produz frutos na alma disposta a entrar em comunhão com Deus. Porém, a Missa correta, isto é, obediente às rubricas do Missal Romano, além de multiplicar esses frutos, digamos, ordinários, prepara o espírito até mesmo do rebelde para se colocar diante do sagrado. Pela beleza dos atos litúrgicos, muitos já renderam seus corações a Cristo, confessando, devotadamente, seus pecados. Isso porque perceberam não estarem numa simples reunião de oração ou num culto de louvor, mas diante da real entrega de Nosso Senhor Jesus Cristo na cruz. Reconhecendo que, diante de seus olhos, Jesus está se imolando, e tornando as espécies eucarísticas Seu Corpo e Seu Sangue, une o céu e a terra, os anjos e os homens, e realiza a perfeita communio sanctorum, o pecador só tem a gritar, do fundo de sua alma: Kyrie, eleison! Dominus, miserere nobis! Senhor, tende piedade de nós!

A Missa nos conduz pelo caminho da santidade. Quando corretamente oferecido, o sacrifício conduz as almas ao desejo de entrar pela porta estreita e se tornarem santos de Deus.

Interferência de bloqueador de anúncios detectada!


A Wikia é um site grátis que ganha dinheiro com publicidade. Nós temos uma experiência modificada para leitores usando bloqueadores de anúncios

A Wikia não é acessível se você fez outras modificações. Remova o bloqueador de anúncios personalizado para que a página carregue como esperado.

Também no FANDOM

Wiki aleatória