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A Igreja Editar

A palavra “Igreja” (“ekklèsia”, do grego “ek-kalein” - “chamar fora”) significa “convocação”. Designa também as assembléias do povo, geralmente de caráter religioso. No cristianismo primitivo a primeira comunidade dos cristãos já se autodenominava Igreja. Na linguagem cristã, a palavra “Igreja” designa a assembléia litúrgica, mas também a comunidade local ou toda a comunidade universal dos crentes. Na verdade, estes três significados são inseparáveis. “A Igreja” é o Povo que Deus reúne no mundo inteiro. Existe nas comunidades locais e se realiza como assembléia litúrgica, sobretudo eucarística (Missa). Vive da Palavra e do Corpo de Cristo e ela mesma se torna assim Corpo de Cristo. Depois do século IV d.c., a palavra “igreja” também passou a denominar os templos onde os fiéis se reuniam.

Introdução Editar

Deus em sua infinita bondade, quer que sejamos felizes. Deus nos conhece melhor que nós mesmos e sabe o que é melhor para nós. Nós pecamos contra Ele e arrastamos nossa alma para a morte. Por nós mesmos, não poderíamos reparar a menor ofensa que fosse, pois ofendemos Àquele que é Infinito. Mas Deus nos ama e não quer que vivamos eternamente afastados d’Ele. Mandou seu Filho, Jesus Cristo, Deus e Homem, para sofrer e morrer para resgatar o preço de nossos pecados. Assim Deus possibilitou nossa salvação. Jesus veio numa época específica no tempo, pregou e anunciou a Boa Nova, sofreu, morreu e ressuscitou. Apareceu para várias pessoas e depois voltou ao Pai. Tinha cumprido sua missão. Mas como os homens poderiam viver corretamente no caminho do Bem e da Salvação? Para isto Jesus nos deu a Sua Igreja, prometendo que estaria com ela até o fim dos tempos, mandou o Espírito Santo em Pentecostes, de modo que as portas do inferno nunca prevaleceriam contra ela. A Igreja é a comunidade dos fíéis que Jesus Cristo formou para viverem a fé, viverem a caridade, celebrar o culto divino, administrar os sacramentos. A Igreja é a Mãe que nos acolhe e nos guia para viver segundo a vontade do Pai, nos ensinando o que é reto. A Igreja é o Corpo Místico de Cristo, no qual Jesus é a cabeça e nós somos os membros. A Igreja tem a promessa do Espírito Santo, de modo que possa sem erro, conduzir os seus filhos à Salvação, ensinando a correta doutrina, nos revelando o Deus verdadeiro.

Igreja – Instituída por Cristo Editar

A Igreja já estava nos planos de Deus desde o início dos tempos. Ela é parte indispensável do Plano de Salvação de Deus. A Igreja “foi admiravelmente preparada na história do povo de Israel e na antiga aliança. Foi fundada nos últimos tempos. Foi manifestada pela efusão do Espírito e no fim dos tempos será gloriosamente consumada”. Cabe ao Filho realizar, na plenitude dos tempos [plenitude dos tempos – época no tempo em que Jesus viveu entre nós pregando a Boa Nova e realizando sua missão na terra] , o plano de salvação de seu Pai; este é o motivo de sua missão. O Senhor Jesus iniciou sua Igreja pregando a Boa-Nova, isto é, o advento do Reino de Deus. Para cumprir a vontade do Pai, Cristo inaugurou o Reino dos Céus na terra. A Igreja é o Reino de Cristo já misteriosamente presente. O Senhor Jesus dotou a sua comunidade de uma estrutura própria que permanecerá até a plena consumação do Reino. Há antes de tudo a escolha dos Doze com Pedro como seu chefe. Representando as doze tribos de Israel, eles são as pedras de fundação da nova Jerusalém. Os Doze e os outros discípulos participam da missão de Cristo, do seu poder, mas também da sua sorte. Através de todos esses atos, Cristo prepara e constrói a sua Igreja. Mas a Igreja nasceu primeiramente do dom total de Cristo para a nossa salvação, antecipado na instituição da Eucaristia e realizado na Cruz. Da mesma forma que Eva foi formada do lado de Adão adormecido, assim a Igreja nasceu do coração traspassado de Cristo morto na Cruz.

Igreja e suas quatro características essenciais: A Igreja é Una, Santa, Católica e Apostólica Editar

a) Catolicidade e Apostolicidade 

O Espírito Santo foi confiado a Igreja, de modo que vivificada por este Espírito, possa através dos tempos conduzir os homens à Salvação. O Espírito Santo, Deus Consolador, nos confirma e nos guia para este santo fim. Jesus não poderia deixar os homens a sua plena sorte de modo que instituindo a Igreja, sob a autoridade dos apóstolos chefiados por São Pedro e seus sucessores, iluminados pelo Espírito Santo, pudessem caminhar sempre nos verdadeiro ensinamento de Jesus Cristo na busca do Reino de Deus. No Antigo Testamento, vemos Deus escolhendo o povo de Israel como Seu Povo. Na Nova Aliança em Jesus Cristo, a Igreja é o Novo Israel, é Povo de Deus, sem privilégio de cor ou de raça, aberta para todos os povos e todas as pessoas. Por isso a Igreja é chamada “Católica”, pois é universal. O povo de Israel era dividido em doze tribos. A Igreja foi erigida sob a autoridade de doze apóstolos. Uma das principais notas (características) da Igreja é sua apostolicidade. Toda a autoridade da Igreja é baseada na autoridade confiada por Cristo aos apóstolos, dentre eles de modo especial, São Pedro. Lemos em Mt 16,13-19 e Jo 20,23, além de outras passagens da Bíblia, os poderes que Jesus dá a seus apóstolos (enviados). A Pedro, especificamente, Jesus dá as chaves do céu. O que Pedro ligar na terra será ligado no céu. Jesus disse que sobre a pedra que “Pedro” era, constituiria sua Igreja. E esta pedra permanece até hoje. O Papa é esta pedra, que representa o próprio Cristo. Quando Pedro morreu martirizado, ele era o “Bispo de Roma”. Por isso o Papa, que é o Bispo de Roma, é o sucessor de Pedro. Desde a Igreja primitiva até hoje, sucederam-se inúmeros Papas nos 2000 anos de Igreja. Esta sucessão é ininterrupta e nos chega até os dias de hoje. Os apóstolos também contemplados com a autoridade da Igreja, mas sob a chefia de Pedro, transmitiram sua autoridade para homens de confiança e preparados. Os sucessores dos apóstolos são os Bispos (epíscopos). A Igreja, hoje, no passado, e sempre, é baseada na autoridade apostólica, na sua sucessão, na sua tradição e no seu ensino. A herança apostólica nos chega até os dias de hoje, nos Evangelhos, no Novo Testamento, na Doutrina da Igreja, nos Ensinamentos dos Santos Padres e teólogos da Igreja. [quando falamos em “Santos Padres” estamos falando dos cristãos dos primeiros séculos que se destacaram na defesa, ensino e correta interpretação das verdades sublimes da fé] A Igreja, na figura de seu Papa e seus Bispos, tem autoridade sob todos os cristãos. Autoridade real, transmitida por Cristo, e guiada pelo Espírito Santo. Devemos SEMPRE respeitar a autoridade da Igreja e seu ensinamento. Pois a autoridade da Igreja é a autoridade de Cristo. Mesmo quando não entendermos ou não aceitarmos alguma coisa da doutrina católica ou de seu ensinamento, devemos ser humildes e obedientes, tentando aceitar e compreender os desígnios de Deus, por vezes misteriosos a nós.


b) A Igreja é una(Ef 4,1-6; Jo 17,21) A Igreja é una pela sua fonte, pois existe um só Deus. A Igreja é una pelo seu Fundador: “Pois o próprio Filho encarnado, príncipe da paz, por sua cruz reconciliou todos os homens com Deus, restabelecendo a união de todos em um só Povo, em um só Corpo”. A Igreja é una pela sua “alma”: “O Espírito Santo que habita nos crentes, que plenifica e rege toda a Igreja, realiza esta admirável comunhão dos fiéis e os une tão intimamente em Cristo, que ele é o princípio de Unidade da Igreja”. Portanto, é da própria essência da Igreja ser una. Contudo, desde a origem, esta Igreja una se apresenta com uma grande diversidade, que provém ao mesmo tempo da variedade dos dons de Deus e da multiplicidade das pessoas que os recebem. Na unidade do Povo de Deus se congregam as diversidade de dons, de encargos, de condições e de modos de vida. A grande riqueza desta diversidade não se opõem à unidade da Igreja. Todavia, o pecado e o peso das suas conseqüências ameaçam sem cessar o dom da unidade. Assim o apóstolo tem de exortar a “conservar a unidade do Espírito pelo vínculo da paz”(Ef 4,3). Quais são os vínculos para manter esta unidade? De todos o mais importante é a caridade, amor verdadeiro, vínculo da perfeição (Cl 3,14). Outros vínculo essenciais da unidade da Igreja:

- a profissão de uma única fé recebida dos Apóstolos; -a celebração comum do culto divino, sobretudo dos sacramentos; - a sucessão apostólica através do Sacramento da Ordem, que rege a concórdia fraterna da família de Deus.

“A única Igreja de Cristo, ... é aquela que nosso Salvador, depois de sua Ressurreição, entregou a Pedro para apascentar e confiou a ele e aos demais Apóstolos para propagá-la e regê-la... Esta Igreja, constituída e organizada neste mundo como uma sociedade, subsiste na Igreja Católica governada pelo sucessor de Pedro e pelos Bispos em comunhão com ele”. Na realidade, desde o primórdios, surgiram algumas cisões, que São Paulo censura como gravemente condenáveis. Dissensões mais amplas nasceram nos séculos posteriores. Comunidades não pequenas separaram-se da plena comunhão com a Igreja católica, por vezes não sem culpa de homens de ambas as partes. As rupturas que ferem a unidade do Corpo de Cristo (heresia, apostasia, cisma) não acontecem sem os pecados dos homens. Os que hoje em dia nascem em comunidades que surgiram de tais rupturas e “estão imbuídos da fé em Cristo não podem ser argüidos de pecado de separação, e a Igreja católica os abraça com fraterna reverência e amor... Justificados pela fé recebida no Batismo, estão incorporados em Cristo, e por isso com razão são honrados com o nome de cristãos, e merecidamente reconhecidos pelos filhos da Igreja católica como irmãos no Senhor”. Além disso, “muitos elementos de santificação e de verdade existem fora dos limites visíveis da Igreja católica”: “a palavra escrita de Deus, a vida da graça, a fé, a esperança e a caridade e outros dons interiores do Espírito Santo e elementos visíveis”. O Espírito de Cristo serve-se dessas igrejas e comunidades eclesiais como meios de salvação cuja força vem da plenitude de graça e de verdade que Cristo confiou à Igreja católica. Todos esses bens provêm de Cristo e levam a Ele e impelem “a unidade católica”.


c) A Igreja é Santa “A Igreja... é, aos olhos da fé, santa. Pois Cristo, Filho de Deus, que com o Pai e o Espírito Santo é proclamado ‘o único Santo’, amou a Igreja como sua Esposa. Por ela se entregou com o fim de santificá-la. Uniu-a a si como seu corpo e cumulou-a com o dom do Espírito Santo, para a glória de Deus”. A Igreja é, portanto, “o Povo santo de Deus”, e seus membros são chamados “santos”. A Igreja unida a Cristo, é santificada por Ele; por Ele e nele torna-se também santificante. Todas as obras da Igreja tendem, como a seu fim, “à santificação dos homens em Cristo e à glorificação de Deus”. É nela que adquirimos a santidade pela graça de Deus. “Já na terra a Igreja está ornada de verdadeira santidade, embora imperfeita”. “A Igreja é santa, mesmo compreendendo pecadores em seu seio, pois não possui outra vida senão a da graça: é vivendo da sua vida que seus membros se santificam; é subtraindo-se à vida dela que caem nos pecados e nas desordens que impedem a irradiação da santidade dela. É por isso que ela sofre e faz penitências por essas faltas, das quais tem o poder de curar seus filhos, pelo sangue de Cristo e pelo dom do Espírito Santo”.

Os fiéis de Cristo: Hierarquia, Leigos e Vida Consagrada Editar

“Fiéis são os que, incorporados a Cristo pelo Batismo, foram constituídos como povo de Deus e assim, feitos participantes, a seu modo, do múnus sacerdotal, profético e régio de Cristo, são chamados a exercer, seguindo a condição própria de cada um, a missão que Deus confiou para a Igreja cumprir no mundo” (Código de Direito Canônico, cânon 204) [múnus – encargo; emprego; funções que um indivíduo tem que exercer] [régio – que diz respeito ao Rei]

A diversidade de vocações e carismas que existem no povo de Deus não são uma barreira a sua unidade, pelo contrário, contribuem para a missão da Igreja. Pois a Igreja é o Corpo da qual Cristo é a cabeça e nós os membros. Cada membro possui uma função diferente, mas necessária para o correto funcionamento do organismo. Os fiéis da Igreja se dividem principalmente: nos que pertencem a Hierarquia da Igreja, os Leigos e os Religiosos de Vida Consagrada.

Hierarquia Editar

A Hierarquia da Igreja é constituída pelos ministros que recebem a missão e a faculdade de ‘agir em nome de Cristo’. Esta faculdade e missão estes ministros recebem pelo sacramento da Ordem, que tem diversos graus a saber: Bispos, Presbíteros e Diáconos. Os Bispos recebem a plenitude deste ministério. Os presbíteros e diáconos são auxiliares dos Bispos nesta missão. Da mesma forma que os Apóstolos exerciam sua missão como conjunto que eram, os seus sucessores também exercem sua missão na Igreja universal como colégio episcopal. Ou seja, o colégio (conjunto) dos Bispos unidos ao Papa (bispo de Roma, sucessor de São Pedro) exerce seu poder e missão apostólica sob toda a Igreja em todo o mundo. Da mesma forma que exercem o seu poder e missão em conjunto, devendo se ajudar e apoiar mutuamente, exercem este poder e missão na parcela do povo de Deus a eles confiados. O bispo tem em sua diocese o encargo de verdadeiro Pastor, representando Cristo naquela região e perante aquele povo. O bispo de Roma participa do poder e missão confiados a São Pedro, pois quis Nosso Senhor que a Unidade da Igreja e sua condução até o fim dos tempos fosse confiado a este. Ou seja, o bispo de Roma (o Papa) exerce sua autoridade, como sucessor de São Pedro e Vigário de Cristo, perante todos os homens, pois tem o primado dentre todos os outros bispos. O Colégio dos Bispos não tem autoridade se nele não estiver incluído o sucessor de São Pedro, o Sumo Pontífice e Pastor Universal, o Papa. O Papa, de modo a exercer eficazmente sua missão, recebe o auxílio infalível do Espírito Santo quando decreta assuntos sobre doutrina e moral. Ou seja, o Papa quando exerce seu poder “ex catedra” (do trono de São Pedro) declarando de maneira definitiva algum assunto sobre doutrina e moral, ele não erra. [ Chamamos isto de “Infalibilidade Papal” ] .Desta mesma forma, o Colégio de Bispos juntamente com o Papa possuem este auxílio infalível do Espírito Santo, quando declaram de maneira solene e definitiva assuntos sobre doutrina e moral. A diocese sob o governo do bispo, também possui suas divisões territoriais internas de modo a facilitar o pastoreio do povo de Deus. Normalmente, a diocese é dividida em paróquias que são confiadas aos párocos que são presbíteros (padres). Os presbíteros também se organizam em forma de colégio, de forma, que no seu conjunto auxiliem o bispo dentro da diocese.

Leigos Editar

“Sob o nome de leigos entendem-se aqui todos os cristãos, exceto os membros das Sagradas Ordens ou do estado religioso reconhecido na Igreja, isto é, os fiéis que, incorporados a Cristo pelo Batismo, constituídos no Povo de Deus e a seu modo feitos participantes da função sacerdotal, profética e régia de Cristo, exercem, no seu âmbito, a missão de todo o Povo cristão na Igreja e no mundo” (Lumen Gentium – can. 31)

A função dos leigos e sua vocação é transformar o mundo segundo a vontade do Pai, de modo que o Reino de Deus possa se fazer presente no dia a dia, no trabalho, na escola, nas famílias. Exercendo suas funções temporais, devem ordená-las segundo o Evangelho de Jesus Cristo, transformando a realidade em sua volta. E em virtude do Batismo e da Confirmação (Crisma) também são responsáveis pelo apostolado, ou seja, são, a sua maneira, enviados por Cristo para evangelizar os povos, levando a Palavra de Deus aqueles que não a conhecem ou não a praticam. Esta missão deve ser exercida de diversas formas, mas é importante que tenham a oração e o testemunho no dia a dia, como base. É importante também a vivência em comunidade e a obediência à Hierarquia da Igreja.

A Vida Consagrada Editar

As pessoas de vida consagrada são aqueles que , através dos conselhos evangélicos, consagram sua vida a Deus de modo mais pleno. Não fazem parte necessariamente da Hierarquia da Igreja, mas estão a ela intimamente ligados. Os religiosos consagram sua vida a Deus, podendo fazer parte das variadas ordens e congregações existentes, cada qual com seu carisma e características próprias. Os conselhos evangélicos são aqueles conselhos que Cristo nos dá para vivermos uma vida perfeita. Apesar de todos nós sermos chamados à santidade, não somos obrigados a seguir estes conselhos, mas convidados. Os conselhos evangélicos, exprimidos e abraçados através de votos, são: a pobreza, o celibato e a obediência. Através destes votos, os consagrados buscam de maneira mais pena a vivência do Reino de Deus.

Um pouco de história Editar

Durante os 3 anos de sua pregação terrestre, Jesus anunciou e promoveu o amor, o perdão, a vinda do Reino de Deus. E foi preciso que Ele se oferecesse em sacrifício de cruz para remissão dos pecados e para que muitos cressem Nele. Mas a sua paixão e morte acabou sendo também a sua vitória. No amanhecer do terceiro dia, Ele já havia ressuscitado e permaneceu por mais 40 dias entre os discípulos ; daí então sobe aos Céus e está à direita do Pai.

“ Toda a autoridade sobre o céu e a terra me foi entregue. Ide, portanto, e fazei que todas as nações se tornem discípulos, batizando-as em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo e ensinando-as a observar tudo quanto vos ordenei. E eis que eu estou convosco todos os dias, até a consumação dos séculos !” (Mt 28,16-20)

Em pelo menos duas passagens, Jesus demonstra a sua intenção de fundar a comunidade que iria levar a Boa Nova a toda a Terra. Quando Simão pronuncia Jesus como o Filho de Deus vivo, Jesus confia-lhe as Portas dos Céus e o passa a chamá-lo de Pedro, a rocha sob a qual Cristo edificaria a sua Igreja e que o poder das trevas jamais prevaleceriam sobre Ela. Também, quando já estava para subir ao Pai, Jesus faz com que Pedro confirme seu amor por três vezes ( é interessante notar que o mesmo Pedro havia negado a Cristo também por três vezes ) e pede que este apascente suas ovelhas, isto é, confirma o primado de Pedro e a sua condição de Papa, ou de pastor e guia da comunidade cristã ( Jo 21,15-18 ). Assim que Jesus deixou seu mandamento de evangelizar a Terra, os apóstolos, sempre orientados pelo Espírito Santo, puseram-se a trabalhar para isso. O mundo conhecido na época confundia-se com o Império Romano, que era eminentemente uma civilização pagã, ou seja, adoravam vários deuses, inclusive a pessoa do próprio imperador. Ainda assim, conseguiram os primeiros apóstolos levar a mensagens até para os pagãos, inclusive em Roma, capital do Império, onde se tornaria futuramente a sede terrestre da Igreja. Os primeiros séculos de cristianismo, entretanto, não foram fáceis. Desde o início já contavam as primeiras comunidades com a perseguição dos judeus ( Saulo, depois convertido e tornado Paulo, era um dos mais ativos desses ferozes perseguidores ) e depois com a dos romanos, que viam na negação a adoração dos deuses, especialmente o imperador, em prol do culto de um tal Cristo, carpinteiro da Judéia e crucificado, uma afronta e também crime de alta traição, punível com a morte. No ano de 64, o imperador Nero ateia fogo na cidade de Roma e para escapar da responsabilidade, põe a culpa nos cristãos. Isto desencadeia a primeira grande perseguição que culminou com o suplício de milhares, inclusive de São Paulo e São Pedro. Durante os 3 séculos seguintes, vários imperadores promoveram perseguições, inclusive com os espetáculos de circo, onde os cristãos eram atirados para serem devorados pelas feras ( ad bestias ). Longe de desanimarem com os suplícios, morriam eles entoando cânticos de júbilo, pois sabiam que em breve iriam receber a vida eterna junto de Deus e a total felicidade, por haverem derramado seu sangue pelo testemunho da Verdade e pela Palavra. E quanto mais eram perseguidos e martirizados, mais aumentava o número de cristãos, como bem salientou Tertuliano ( fins do séc. II ) : sanguis martyrum est semen christianorum - o sangue dos mártires é semente para fazer novos cristãos. Essa situação de intolerância mudou no ano de 312, quando da batalha da ponte Mílvia, o imperador Constantino afirmou ter visto uma cruz com a inscrição : In hoc signum vinces - sob este símbolo, vencerás !

E se converte ao cristianismo ( sua mãe já era cristã ardorosa tendo sido inclusive canonizada, Santa Helena ), publica o Edito de Milão, onde dá liberdade aos cristãos e chega a promover o Concílio de Nicéia, onde se discutiu a heresia do Bispo Ário, que afirmou que Cristo era um homem especial, porém negando a condição de Jesus como Filho de Deus. Prevaleceu o Dogma da Natureza Divina de Jesus Cristo. Fracassa a última tentativa de integrar os cristãos na unidade do império simbolizada pelo culto do imperador e os sacrifícios aos deuses. Constantino, que atribui suas vitórias ao Deus dos cristãos, considera sempre mais a Igreja como um novo fundamento espiritual e ético para o império. Viria então algum tempo de paz, onde a Igreja amplia sua influência até os confins do império, tornando-se inclusive sua religião oficial, abolindo-se o paganismo. É nessa época que surge personagens famosos como Santo Agostinho e Santo Ambrósio. Entretanto, a estrutura de poder que regeu o mundo por 700 anos entra em franca decadência, e os povos germânicos começam a adentrar nos domínios romanos. Lentamente o poder fica vai se descentralizando em pequenos reinos bárbaros, que a princípio tinham também suas crenças pagãs e mitológicas, porém são também suplantados pela influência da religião cristã. Nesse tempo de contínuos deslocamentos de poder e no espaço de poucos decênios nascem, crescem, desaparecem iniciativas e irradiações da Igreja nos reinos germânicos. Fundações de alguns mosteiros ( nessa época surge a Ordem dos Beneditinos ), pregação da fé entre os germanos, a austeridade da vida monástica e o trabalho missionário dos monges irlandeses, o produto das propriedades eclesiásticas distribuídos na Itália aos pobres - tudo isso mostra o perfil de uma Igreja que é, ao mesmo tempo, espiritual e engajada no mundo. Muito se tem contestado a Igreja pelo fato de querer interferir nos assuntos não teológicos, como a política. Criticam-na por Ela ter sido dominadora durante a idade média, onde lembra-se mais da Inquisição do que dos grandes feitos de pessoas como São Francisco e Santa Clara de Assis, Santa Rita de Cássia, São João Nepobuceno, entre tantos outros que anunciaram a mensagem de Deus de maneira exemplar. Querem afirmar que a Igreja não poderia desencadear as cruzadas, já que a mensagem de Cristo é de paz. A esse respeito pode-se dizer que as cruzadas foram um movimento para salvar a civilização ocidental, cercada por todos os lados por nações não-cristãs que ameaçaram seriamente a posição e existência dos povos cristãos medievais. Quanto à Inquisição, eram tribunais que julgavam casos de apostasia, heresia, bruxaria, magia negra ( muito difundidos naquela época, embora em segredo ), enfim, o que negasse a fé cristã e que de certo modo foi um procedimento necessário para aqueles tempos. Depois, se o poder dos reis usou da Inquisição ou das cruzadas, deturpando sua finalidade para justificar as suas próprias atrocidades contra seus próprios inimigos políticos, a Igreja é isenta de responsabilidade perante os chamados “Tribunais da História”. Diante da acusação de crueldade por parte da Igreja quanto à conduta nas questões jurídicas e penais, vale a pena citar o conceituado Prof. Heleno C. Fragoso, no seu livro “Lições de Direito Penal” onde afirma que “ a influência do direito canônico foi benéfica. Proclamou a igualdade de todos os homens... favorecendo o fortalecimento da justiça pública, opôs-se à vingança privada ( a chamada lei de Talião ).” No séc. VIII acontece a primeira grande cisão na Igreja, ficando os cristãos do oriente chamados de ortodoxos e fiéis ao chamado “Patriarca de Constantinopla”. No séc. XVI veio a Reforma protestante, onde Lutero, Calvino e o rei Henrique VIII da Inglaterra conseguiram fundar novas religiões. Eram porém as diferenças com a Igreja de Roma mais sobre questões políticas do que teológicas, embora algumas verdades católicas tenham sido abolidas por essas religiões. Esse fato explica a existência de sem número de seitas que se afirmam cristãs atuando no nosso século. A Igreja Católica se esforçou, contudo, para impedir uma maior dissolução e reconquistar o terreno perdido. E Ela conseguiu numa medida surpreendente, através do Concílio de Trento, que reafirma todas as crenças da Igreja e começa o trabalho missionário através do Novo Mundo, África e Ásia. Durante a revolução industrial, foi a Igreja, a partir de alguns bispos e cardeais, a primeira instituição mundial que criticou a situação de extrema exploração por parte da burguesia industrial liberal contra os trabalhadores proletariados. No final do séc. XIX, o Papa Leão XIII escreve a encíclica Rerum Novarum, marco na Doutrina Social da Igreja e que estabeleceu diretrizes para uma relação mais justa entre capital e trabalho.

A Igreja tem se preocupado muito com a situação dos marginalizados e oprimidos, mostrando que o ser humano, criatura feita a imagem e semelhança do Criador, não pode sofrer pelo egoísmo e pela ganância de poucos privilegiados. A proposta da Igreja nos últimos anos é de preparação para o grande jubileu do ano 2000, onde inclusive tenciona-se a fusão definitiva com a Igreja do Oriente. A postura da Igreja contemporânea é de diálogo entre os povos para uma maior promoção e valorização do ser humano. A Igreja está na história, mas ao mesmo tempo a transcede. É unicamente “com os olhos da fé” que se pode enxergar na sua realidade visível ao mesmo tempo uma realidade espiritual, portadora de vida divina. Cristo prometeu estar sempre com Ela, tendo sempre a certeza do Espírito Santo orientando-a. Por esse motivo, é que Ela é sem dúvida santa. Criada pelo próprio Filho de Deus, segunda pessoa da Santíssima Trindade e orientada, guiada pelo Espírito Santo. A Igreja é ao mesmo tempo Corpo Místico de Cristo e Templo do Espírito Santo. E é pelos sacramentos da Igreja que Cristo comunica aos membros do seu Corpo o seu Espírito Santo e Santificador, para que conheçamos também o Pai.

“Ninguém conhece o Filho senão o Pai, e ninguém conhece o Pai senão o Filho, e aquele a quem o Filho o quiser revelar” (Mt 11,27)

Fiel cumpridora dos ensinamentos de Cristo, A Igreja se mantém assim mesmo diante de tantas mudanças na vida em sociedade, mesmo com tanta degradação moral, do advento de crenças opostas e que renegam a Mensagem de Vida, da crítica que se faz a sua postura considerada conservadora e contrária à evolução da humanidade, utilizando-se da idéia de que “tudo que é novo é bom”, como se isto fosse uma verdade inquestionável. É na manutenção da crença na existência de um só Deus Todo-Poderoso e na fidelidade a seus Mandamentos que a Igreja tem calcada a sua própria razão de ser. E espera ardentemente a Vinda Definitiva do Reino de Deus, que será a consumação na glória celeste, para que todos nós sejamos reunidos um dia à Morada Eterna do Pai. A Igreja de Cristo é santa, no seu Fundador, no seu fim, nos seus meios, na sua Doutrina e nos seus membros. É Católica por ser universal, devendo atingir a todo ser humano vivente. É apostólica por sua própria essência, a partir do comando de Deus ( Mt 28, 18-20 ); deve Ela cumprir sua missão de levar o ensinamento a todos os seres humanos, sem qualquer distinção. Embora Ela disponha de toda uma história que está para chegar ao seu terceiro milênio, tendo uma organização hierárquica e política semelhante aos Estados do mundo, não pertence a Igreja ao mundo. A Igreja deve sempre, em primeiro lugar, ser analisada sob a ótica espiritual. Não é uma instituição que se norteia pelo trabalho de assistência material, embora não se esquive nunca da prática da caridade e do amparo aos necessitados. A função principal, o objetivo pelo qual ela foi criada, é de procurar sem descanso a salvação das almas, de todas elas. Não se compreende sua existência se não se considerar essa conotação sobrenatural; por isso, muitos não compreendem por quê alguém consegue ser perdoado ao confessar, a um sacerdote, os seus pecados. Ou ainda, não poderá nunca entender o Santo Mistério, onde Deus, na máxima manifestação de Sua Santíssima Trindade, Envia o Espírito Santo para que as ofertas apresentadas por nós se tornem o Corpo e o Sangue de Cristo.

"Eis que estou convosco todos os dias, até o fim do mundo." ( Mt 28,20 ).

Ela não tem um caráter temporário ou passageiro ; muito pelo contrário, sua existência é eterna. Como a esposa que espera ansiosamente pela vinda do seu amado, a Igreja espera pela vinda de Jesus, não mais como simples homem, mas em toda a glória e esplendor. Fiel a seus ensinamentos, cultiva sem desânimo nem concessões a Doutrina legada pelo Senhor. Esta, ao contrário de muitos que pensam ser retrógrada e conservadora, na verdade é extremamente revolucionária, pregando o mais puro amor entre as criaturas e não o convívio social baseado no interesse e no egoísmo. O cristão, antes de mais nada, é um ser que nega a si próprio para deixar-se conduzir pela corrente do Bem.

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