FANDOM


Gnosticismo Editar

Do grego gnostikós, “capaz de conhecer, conhecedor”, derivado do verbo grego gignóskein, “conhecer, saber”.

Conceito Editar

Gnosticismo significa, em tese, o conhecimento místico dos segredos divinos através de uma revelação. Na história das religiões em geral, o termo designa os sistemas religiosos que dão importância primordial ao conhecimento de Deus e da essência do universo, como decisivo para a salvação. Mais particularmente, refere-se a um complexo e vasto movimento religioso ocorrido nos primeiros séculos da era cristã, envolvendo todos os grupos cristãos baseados no “conhecimento”. Conhecimento esse, que compreende uma sabedoria mística e sobrenatural capaz de levar os indivíduos a um entendimento completo e verdadeiro do universo e, dessa forma, à sua salvação do mundo mau da matéria. A “gnosis” é assim um conhecimento e também uma técnica de salvação. O alto grau de conhecimento das verdades religiosas, oferecido pelo gnosticismo, superaria tanto a fé quanto a razão natural. Reunindo elementos cristãos, judaicos e orientais, assumiu variadas formas e expressões, embora conservasse a mesma forma estrutural e fundamental.

Origens, fontesndo suas origens e desenvolvimento, as formas principais do gnosticismo pré-cristão são a helenística e a judaica. Editar

Doutrina Editar

A visão dualista do gnosticismo se expressa na oposição radical entre Deus e o mundo. A divina luz não pode compartilhar com as trevas, pois Deus é absolutamente transcendente e jamais poderia ter criado a matéria nem governá-la. A matéria teria sido criada pelo Demiurgo (artesão, em grego), um ser intermediário entre Deus e os homens. Deste modo, o gnosticismo se apropria da teoria platônica do contraste entre o mundo espiritual das idéias e o mundo material.

Para o gnosticismo o mundo é uma imensa prisão e a terra uma grande masmorra. Ao seu redor e acima dela, existe uma cadeia de esferas concêntricas que barram a passagem das almas após a morte.

O gnosticismo fala do homem como composto de corpo, alma e espírito. O corpo e a alma, produto dos poderes cósmicos, são parte do mundo e estão sujeitos às forças cegas do destino. O espírito é a porção da substância divina que pode participar da libertação através do conhecimento para prover a alma na travessia das esferas até levá-la de volta ao mundo da luz, favorecido pelas emanações de Deus, os éons.

O gnosticismo, por causa de sua natureza dualística, desenvolveu princípios morais contraditórios. Opondo-se radicalmente ao mundo, ensina a mortificação do corpo e a rejeição de todo prazer físico. Ou então, como possuidores da gnosis (conhecimento), os iniciados estariam acima de qualquer regra moral e não precisariam submeter-se a nenhuma restrição.

Tipos de gnose pré-cristã Editar

a) Gnose helenística. A característica da gnose helenística, já na era cristã, manifestava-se no dualismo metafísico, representado pela oposição entre o bem e o mal e pela oposição total entre corpo e alma. No período helenístico pré-cristão, embora a ideia de Deus ainda fosse panteísta, era forte a influência do Deus oriental do Antigo Testamento e da doutrina da origem e da queda do homem.

b) Gnose judaica. Originária das seitas dos últimos séculos antes de Cristo, o dualismo entre os princípios do bem e o mal diferia na gnose judaica pelo seu aspecto mais ético do que cósmico. Segundo sua concepção, o Deus único, embora permitindo a existência do mal, um dia o eliminaria por completo. Os gnósticos judaicos especulavam sobre a essência dos “palácios divinos”, o que encerrava o início de todo o processo criador. O gnosticismo judaico pode ter sido uma das fontes do gnosticismo cristão; depois sobreviveu na Cabala.

Gnosticismo cristão Editar

A fundação do gnosticismo cristão, segundo a tradição, deve-se a Simão Mago, com o qual o apóstolo Pedro travou polêmica em Samaria (At 8,9-24). Simão dizia-se manifestação do Deus supremo. Justino o Mártir (Apologia, c.150), refere-se a Simão como associado a uma mulher de reputação duvidosa, Helena, que dizia ser a primeira concepção de sua mente, do qual os anjos e poderes foram gerados. Seu sistema compreendia uma elaborada angelologia e astrologia. Pouco material chegou até os dias de hoje, a maioria dos personagens e suas doutrinas só puderam ser conhecidos por meio dos críticos do gnosticismo, sendo estes a principal fonte. A maior polêmica contra os gnósticos apareceu no período patrístico, com os escritos apologéticos de Irineu (130-200), Tertuliano (160-225) e Hipólito (170-236). Em muitos casos, porém, até que fossem considerados heréticos, adeptos ortodoxos da Igreja Cristã eram os maiores propagandistas da nova doutrina, que se auto-revelava como um aprofundamento do ensino apostólico. O gnosticismo tornou-se forte influência na Igreja primitiva levando muitos cristãos da época como Marcião (160 d. C.) e Valentim de Alexandria a ensinar sobre a cosmovisão dualista, premissa básica do movimento. Efetivamente, para os gnósticos, existem dois deuses: o criador imperfeito, que eles associam ao Deus do Antigo Testamento, e outro, bom, associado ao Novo Testamento. O primeiro criou o mundo com imperfeição, e desta imperfeição é que se origina o sofrimento humano. Mas, o deus bom teve pena dos homens e dotou-os de uma "centelha divina", que lhes dá a capacidade de despertar deste mundo de ilusões e imperfeição. Para que o homem possa se libertar dos sofrimentos deste mundo, ele deve retornar ao Todo Uno, e isto só pode ser alcançado pelo Conhecimento Verdadeiro (representado pela Gnose). Este despertar só pode ocorrer se o homem se descobre, "conhecendo-se a si próprio". Para que isso ocorra, segundo a gnose, Cristo se esgueirou através dos poderes das trevas para transmitir o conhecimento secreto (gnosis) e libertar os espíritos da luz, cativos no mundo material terreno, para conduzi-los ao mundo espiritual mais elevado. Segundo algumas linhas gnósticas, Cristo não veio em carne e nunca assumiu um corpo físico, nem foi sujeito à fraqueza e às emoções humanas, embora parecesse ser um homem, enquanto a principal linha de gnosticismo cristão, a Valentiniana defende a tese próxima do nestorianismo doutrina cristã, nascida no Século V, segundo a qual há em Jesus Cristo duas pessoas distintas, uma humana e outra divina, sendo Cristo (o ungido) o éon celestial que a um tempo se une a Jesus. Alguns historiadores afirmam que o apóstolo João se refere a esse assunto quando enfatiza que "o Verbo se fez carne" (Jo l,14) e em sua primeira epístola que "todo o espírito que não confessa que Jesus Cristo veio em carne não é de Deus..." (l Jo 4,3). Os escritos joaninos são do final do primeiro século, quando nasceu o gnosticismo cristão. O gnosticismo exerceu sua maior influência sobre o cristianismo, no período entre os anos 135 e 200. Constituindo a maior ameaça à fé cristã, sua existência prolongou-se por muito tempo. Doutrinas gnósticas voltaram várias vezes na história da teologia; hoje sobrevivem em teorias ocultistas, espíritas, esotéricas e da Nova Era.


Personagens da gnosticismo cristão Editar

1) Valentin, de origem egípcia, foi possivelmente o mais importante representante do gnosticismo. Propunha que em Cristo se encontrava absorvido o Jesus dos Evangelhos, e sua missão redentora ficava rebaixada a de um simples cdsdsdsmediador entre Deus e o Homem. Por sua parte, o homem tinha a missão de libertar-se da matéria já que esta tinha por fundamento um princípio inferior e de natureza malvada. Sua visão cosmológica esteve representada por um mundo espiritual (pléroma), dirigido por um Deus invisível acompanhado por 30 eóns superiores. O mundo material foi criado pelo Demiurgo, que por sua vez criou o Homem. O Homem recebeu um elemento pneumático que lhe permite, após sua morte, retornar ao mundo espiritual. Acreditava que o mal é uma falsa direção do bem. Ensinava que a ordem atual das coisas cessaria quando se realizasse na terra a total redenção. Isso provocaria o retorno de todos os seres a sua condição primitiva (no Pléroma), sendo finalmente destruída a matéria e com isso, o mal.

2) Taciturno, que viveu na Antioquia em tempos do imperador Adriano e pregou na Síria, teve em suas doutrinas um forte teor ascético, a ponto de rechaçar o matrimônio por considerá-lo um ato de natureza malvada. Acreditava que Deus tinha criado aos anjos e estes criaram o mundo material e o homem. Este, entretanto, possuía uma porção ou faísca de divindade que lhe permitia elevar-se ao mundo espiritual. Afirmava que Cristo foi enviado Por Deus para redimir ao homem do jugo de Yavé.

3) Basílides, de origem egípcia, difundiu suas idéias principalmente em Alexandria. Representou o ramo Gnóstica que elogiou o ato do ‘conhecimento gnóstico’ em detrimento da moralidade das ações. Afirmava que Cristo era o primeiro eón e foi enviado Por Deus para liberar o mundo da escravidão do Yavé (Demiurgo). Sustentava que Cristo, como ser espiritual incriado, não pôde sofrer a paixão, tomando seu lugar Simão de Cirene.

4) Bardésanes, sírio, pregou suas doutrinas na Alexandria. Em geral, continuou o pensamento do Valentin, mas acompanhou sua pregação com populares hinos litúrgicos. Supunha a eternidade dos princípios do bem e do mal. Afirmava que as emanações espirituais do mal ao aproximar-se da Luz (o bem) procuravam elevar-se à Pléroma (Absoluto), que estava constituído por 365 inteligências denominadas Aberas.

5) Ofitas, grupo gnóstico que imaginou a expulsão do Adão e Eva do Paraíso junto com a serpente (tentadora), cujos descendentes tinham por missão continuar tentando o gênero humano.


6) Simão, o Mago. De origem judia ou samaritana, teve em Meandro seu principal discípulo, acreditava na existência de uma primeira Potência Divina, Infinita e Princípio de Tudo. Esse Primeiro Deus, identificado consigo mesmo, denominando-o Simón, tinha criado a Sophía e através dela criou o Cosmos, o universo todo. Mas Sophía caiu nas redes das forças inferiores, ou seja, a matéria. Simón (a Potência divina) veio ao mundo para resgatá-la e iniciar a redenção universal.

7) Cerinto, afirmava que o mundo não era obra de Deus, mas sim de um poder distinto, o demiurgo. Ensinava que Cristo não tinha nascido da Virgem Maria nem padeceu na cruz, mas sim Jesus, filho natural da Maria, em quem Cristo tinha assumido no batismo, para logo abandoná-lo nas horas prévias à paixão. Sua particular visão milenarista, o fez sustentar que chegariam tempos em que se instalaria um reino terrestre de mil anos, e que Jerusalém seria seu centro, durante o qual os homens poderiam satisfazer todos seus apetites carnais.

Interferência de bloqueador de anúncios detectada!


A Wikia é um site grátis que ganha dinheiro com publicidade. Nós temos uma experiência modificada para leitores usando bloqueadores de anúncios

A Wikia não é acessível se você fez outras modificações. Remova o bloqueador de anúncios personalizado para que a página carregue como esperado.

Também no FANDOM

Wiki aleatória